Comunidades do sertão já sofrem com estiagem

Quando chega do meio do ano em diante é a mesma angústia, principalmente no sertão. As comunidades começam a se queixar da falta de água para o consumo humano e para animais. Os Inhamuns sempre é a região que mais se ressente com o problema, junto com o Sertão Central. Em Quiterianópolis, o racionamento de água iniciou na semana passada.
O problema da população de Quiterianópolis, segundo os próprios moradores, é bem antigo. A maioria utiliza a água encanada apenas para lavar roupas e outros afazeres, que não sejam beber e cozinhar os alimentos. “Faz uns dez anos que consumimos uma água péssima e para não beber dessa água fazemos cisternas em casa e quem pode compra água mineral”, reclama o comerciante Mazinho Costa.
Enquanto a solução definitiva não chega, as pessoas que não têm cisterna e nem podem adquirir diariamente água mineral, se socorrem em um poço profundo localizado a 2Km da sede, na Fazenda São Gonçalo, de propriedade do agropecuarista Getúlio Vieira.
Segundo ele, em torno de 200 pessoas pegam água do poço todos os dias e várias vezes ao dia, desde 2009, última vez que a Barragem Colina, que abastece o Município, sangrou. Desde então, as filas de pessoas com barris, baldes e tambores se acumulam no poço do seu Getúlio. Muitos chamam o cacimbão de milagroso.
“Se o cacimbão do seu Getúlio secar, não sei o que será de nós”, diz o jovem Edgleison Oliveira, que vai de moto pegar água para a sua casa e de sua mãe. A água da Barragem Colina apresenta de fato uma coloração esverdeada.
Atualmente, está com 43% da sua capacidade, segundo a Cagece de Crateús, responsável pela unidade de Quiterianópolis, que atribui o racionamento à quantidade e qualidade da água do reservatório. “Estamos realizando testes para democratizar a distribuição da água, com vistas a realizar a melhor distribuição possível dentro da realidade existente. A água bruta do reservatório está pouca e ruim, então há a necessidade do racionamento para ninguém ficar sem água”, admite Dalmo Vasconcelos, coordenador técnico da Unbpa de Crateús. Sobre a qualidade da água distribuída no Município, o técnico tranquiliza a população. “A qualidade da água do reservatório é ruim, mas distribuímos uma água dentro dos padrões exigidos, não é contaminada, nem poluída”, garante. Conforme o órgão, o sistema de abastecimento de água no Município requer ampliação para garantir um abastecimento satisfatório. “O sistema de Quiterianópolis expirou em 2001 e há um projeto novo em andamento, que ampliará o sistema existente com um horizonte de 30 anos”, informa Vasconcelos. Acredita que, daqui a um ano, o sistema seja implantado e o Município ficará dependendo apenas da generosidade das quadras invernosas para a superação do problema.
Reservatórios
Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), que gerencia 136 reservatórios no Estado, o Ceará não enfrentará este ano problemas de falta de água. “Não teremos problemas em nenhum desses reservatórios, pois estão em média com mais de 80% da capacidade de acumulação”, diz o assistente da presidência da Cogerh, Igor Castro.
Esses dados revelam que a maioria da população do Estado está com água garantida até o próximo inverno. Ficam de fora, porém, segundo o órgão, cerca de 20% da população, que não é servida pelo sistema. “Há no Ceará uma população difusa, composta por pequenas comunidades que não estão dentro desse sistema e são abastecidas por pequenos açudes, poços ou cacimbas”. Esse contingente sofrerá com a falta de água e necessitará da ação dos carros-pipas.
Fonte:Diário Nordeste










